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MPT cobra explicações do IBGE sobre mudança em pesquisa sobre trabalho infantil

MPT cobra explicações do IBGE sobre mudança em pesquisa sobre trabalho infantil

O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu esclarecimentos ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as mudanças implementadas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada este ano. Em ofício assinado pelo procurador-geral do Trabalho (PGT), Ronaldo Fleury, divulgado nesta segunda-feira (4), o órgão questionou a motivação das modificações mais preocupantes na metodologia. Segundo o MPT, a alteração pode distorcer os resultados e tornar a atual pesquisa impossível de comparação com edições anteriores.

Um dos pontos questionados foi a razão de não estarem mais computados como trabalho infantil os fatos enquadrados como “produção para próprio consumo” e “construção para próprio uso”.

O ofício contesta também os resultados gerais da pesquisa em si, segundo os quais o número de crianças em atuação profissional seria de cerca de 998 mil em 2016, ou seja, menos de metade do registrado em 2015 – 2,6 milhões. Segundo o documento do PGT enviado ao IBGE “é de se concluir que a metodologia utilizada para aferir os dados de trabalho infantil no Brasil deixou de considerar parte expressiva das crianças e adolescentes que efetivamente estão trabalhando, mormente nas piores formas de trabalho infantil”.

Para a procuradora do Trabalho e coordenadora nacional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), Patrícia Sanfelici, o número de 1 milhão de crianças envolvidas em trabalho infantil não é verdadeiro.

“Por exemplo, crianças em situação de afazeres domésticos alcançam um número de 20 milhões. A própria pesquisa aponta isso”, afirma Sanfelici. A coordenadora da Coordinfância afirma que não houve de fato redução. “É necessário que as mudanças sejam esclarecidas. Se a explicação tivesse sido feita junto com os novos números, se evitaria a conclusão equivocada de que houve a redução de 1 milhão de crianças em situação de trabalho infantil, quando isso não aconteceu”, declarou a procuradora.

Site02

5 de dezembro

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